sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Manisfesto GREVE DOS PALHAÇOS

Manifesto “Greve dos palhaços”

O mundo anda muito sem graça. A intolerância tem tomado o lugar da hombridade, a ganância da generosidade e a impaciência, o lugar do amor. Mas nós, que levamos a vida a perder para o outro ganhar, que fazemos do riso nossas pernas, acreditamos que esse mundo pode sim, ser um lugar melhor pra se viver. O palhaço acredita nisso!
Entretanto, nós, palhaços de Campo Grande, diante de tantas indignações a respeito de como a arte vem sendo tratada pelos órgãos responsáveis pelo seu fomento, cansamos e decidimos nos manifestar. A principal razão da manifestação foi a ausência de respostas sobre o pagamento do FMIC, impossibilitando a realização da III PANTALHAÇOS- MOSTRA DE PALHAÇOS DO PANTANAL, privando os grupos produtores da Mostra de realizá-la e a população de participar do evento.
Na semana que o mundo comemora o Dia Internacional do Palhaço – 10 de dezembro, decidimos fazer uma greve. Greve de sorrisos! Greve de alegria!
O objetivo do manifesto foi trazer a público as questões que tem causado indignação na classe artística de Campo Grande, mais especificamente entre os trabalhadores da arte circense e que são desconhecidas pela população e pouco discutidas, inclusive, entre a própria classe.
Assim, o grupo expõe algumas questões:
- O que ocorre no interior de uma Fundação de Cultura, seja ela Estadual, Municipal ou Nacional, que faz com que nós, artistas, fiquemos sem resposta em relação às verbas que são destinadas a esse fim, mas nunca estão disponíveis na hora que deveriam estar? Onde está esse dinheiro? Por que ninguém nos responde isso com clareza, uma vez que se trata de dinheiro público destinado à cultura?
- Por que a verba destinada à cultura é tão infinitamente menor do que o recurso destinado a outras áreas dos direitos humanos? A população, por acaso, sabe que a cultura é seu direito garantido por lei?
- Por que recebemos os cachês com tanto atraso? Qual a razão de sermos tratados com tanto descaso pelos órgãos que deveriam ser parceiros da arte, afinal, essa é a função dessas instituições?
- Como podemos transformar a realidade e formar platéia se a verba destinada à cultura não permite uma divulgação efetiva que estimule a população a conhecer a cultura local, que fomente o nascimento de novos grupos e artistas?
Não estamos aqui apenas brigando por cachês melhores, pagamento na data combinada e aumento de verba para a cultura. Estamos PEDINDO RESPEITO! O artista merece respeito como qualquer cidadão. O artista paga impostos, precisa comer, vestir e pagar as contas, como qualquer cidadão.
Não estamos em Hollywood e nem aparecemos na TV Globo toda semana. Mas trabalhamos com seriedade em busca de melhoria na nossa arte e na ideológica vontade, na utopia insana de que a arte é capaz de transformar a realidade dura e pesada que nos oprime a cada dia. Acreditamos na força da inocência de um palhaço. Acreditamos na decência, na honestidade e na solidariedade humana. Pedimos que nos levem a sério, que nos respeitem como gente trabalhadora, merecedora de um olhar cúmplice da sociedade.
RESPEITO É BOM E O PALHAÇO TAMBÉM GOSTA!

Atenciosamente,

ARTISTAS DE CAMPO GRANDE, MATO GROSO DO SUL
17 DE DEZEMBRO DE 2010 - CAMPO GRANDE-MS

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